Um errante no seu rumo

Frente a um lago a forma do meu ser espelha-se vaga e ondeante como num sonho próximo. Deixo a imaginação completá-la enquanto procuro reconhecer-me. Deixo-me divagar pela imaginação.

Sim, bem me lembro desse outro que vejo... Esboçava um sorriso para a vida, aninhava-a entre si, e lá voava leve pelo vento que a vida em turno lhe retribuía. Algo dentro do seu espírito era calor e frescura, e sorria.

Cores do outro lado da água
Tão de fora deste lado do mundo.
Só de pensar que já foram minhas…

E lá bem no fundo ainda há as que me restam mas eu, tão distante delas, mal noto que murcham sem mim. Eu, tão distante delas… e aqui assim pelas que em distância ficaram de mim.

Não, não descanses - ressoa uma voz - descansando dá-te tempo para pensares que não és nada ao sentires-te assim. Uma voz sem palavras, um eco vazio mas devastador na alma, relembrando a alma do quanto está vazia. Uma voz que esbate contra a água e a torna fria, sólida, num gelo que se quebra estilhaçando tudo.

Via uma pessoa firme na sua confiança de que voaria mas não se perderia. Vejo-a a estilhaçar-se.

Tempo de prosseguir, já não há nada para ver aqui.


1 comentário/s:

  1. Diogo Silva

    Procurei ser mais acessível neste texto, em comparação ao último. Se foi vantajoso ou não, não sei.

     

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