Um conto da minha mente
Published 25 dezembro 2009 by Diogo Silva in HistóriasEra um jardim desnudado de tudo. Abandonado aos ataques do vento, havia-se desvanecido em diversos tons de cinzento. Nele apenas restava eu. E eu esperava, procurando manter viva e ardente a memória do que fora outrora o jardim. “Que paisagem alegre quando faz bom dia! Por ela aqui me ponho a esperar.” Mas o frio trespassava. Por fim me vi a ser levado de volta ao prédio, com o apoio da ventania; contra a mesma, por mim esvoaçou uma rapariga branca como se toda de luz, vindo pousar no banco onde eu estivera. O seu rasto de luz fez-me romper a curiosidade, e isso chegava!, chegava como desculpa para eu voltar atrás. Fui ter com ela, para saber se também ela esperava alguém naquele sítio. A rapariga foi muito direta, “sejamos sinceros, eu não existo”, e dei por mim a olhar para um banco de pedra resistindo sozinho ao frio. Deixei-o, deixei-me levar pelas aragens outra vez, e outra vez a sua voz ressoou, “espera, não fiques assim confuso, não te ponhas de um lado para o outro. Vem ter comigo.” No banco de pedra sentei-me ao lado dela. O frio trespassava, mas ela quanto a isso apenas dizia “que queres, está frio”. Tocou-me na mão: a ideia de eu ter alguém comigo confortava-me. Abracei-lhe para me aquecer, “eu não quero ficar mal com este tempo”, e foi bom sentir o calor da sua pele contra a minha, os seus braços cobrindo-me, e depois o toque das suas mãos na minha cara, descaindo, deixando um rasto de calor. Estava a ser muito pessoal, e eu sentava-me sozinho no banco de pedra. Espirrei, senti o meu peito arranhado. Só se ouvia o vento. Às vezes passava por perto uma ou outra pessoa como aquela que ia ali sozinha. Estava a entrar num prédio. As coisas movem-se à nossa volta mas muitas vezes nem nos damos por elas. Creio que tenha sido a única pessoa que passara por perto, mas a minha preocupação estivera noutro lado, o que eu quisera era um pouco de luz como aquela rapariga que afinal nunca estivera comigo. Tendo entrado a pessoa no prédio, o vazio voltou a predominar por completo nas ruas e no jardim. Era um jardim desnudado de tudo, abandonado ao desinteresse. O vento rugia contra as coisas: a pedra do banco mantinha-se firme e as paredes dos prédios também. Não queria ficar mal com este tempo, não estava ali a fazer nada. Deixei-me seguir o rasto da outra pessoa, com o apoio da ventania, e entrei no prédio também.
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tenho uma palavra para este texto ESPECTACULAR . houve umas partes que quase me comoveste ao ler e outras engraçadas xD do tipo para nao constipar x'D
esta muito BOM. adorei :D