Achando-te, perdi-me
Published 17 setembro 2009 by Diogo Silva in Paixões, TempoAinda és a única: digo-o duvidando do meu próprio pensar. Ainda te vejo, sem a fantasia que te envolvia. Já não és princesa, o brilho caiu com a coroa que imaginava em ti, e o que sobrou, foste tu.
Rapariga normal de todos os dias, defeitos e virtudes fazem-te pessoa única, tal como às todas outras; não mais a personagem ideal que me eras outrora. E vejo-te em passos normais, falo-te normalmente, sorrimos e olhamos por ser normal; vulgar situação, mas por detrás do meu olhar há um outro, aquele com que me vias antes e que o escondo agora de ti. Ele ainda lá está, e tu ainda o apanhas quando te apanho eu a olhares-me, escondida de mim; ou apanham-no outros por ti, para ti.
Escureceu a tua luz, mas não se apagou; desapareceu o brilho, mas a chama ainda lá está quando me dedico a reparar nela. E eu quero dedicar-me a reparar nela. Ainda me és a única entre sombras, não pela vaga forma que luz cega, mas por todo o teu ser que o vejo agora mais definido. Ao aperceber-me disto, ao achar-te, perdi-me.
Já não sei o que tu pensas, já nem sei o que hei-de pensar; tudo continua com normalidade, o tempo também. Mas este é duro: passando a correr, passa e muito; tempo até é muito, até se pode fazer muito, não o fazer é excesso de tempo mal aproveitado. Mas ele corre e passa rápido.

mesmo fixe :D fg :$ xD
gostei de ler !!
e ja sabes a minha opiniao xD
tudo a seu tmpo,
o tempo cura tudo *-)
Lol, é certo e sabido que sou mais "negativo" psicológicamente que a maioria do pessoal, e talvez por isso o meu comentário seguinte se justifique.
Mas sinceramente, o tempo, definitivamente, não cura tudo, nem pouco mais ou menos. Nem cura as tragédias nem os momentos mais marcantes, quer pela negativa, quer pela positiva, que também os há. E sob o risco de parecer impertinente, quem diz que cura em geral nunca testou isso na prática, se é que me faço entender.
É para isso que existe algo a que denominamos de memória humana, activa e passiva - há quem lhe chame consciente e subconsciente, mas não concordo na totalidade com essa expressão, mas também... isso já é outra conversa que não é para aqui chamada.
Agora mais em relação ao texto, acho que o título é, se não o melhor, um dos melhores que deste a um texto teu. É uma expressão interessantíssima, muito poderosa e deveras profunda, gostei imenso.
E saltando o primeiro parágrafo de uma linha apenas, que compreendo-o como um simples desabafo teu, mentalmente teu, acho que todo o segundo parágrafo reflecte bastante bem aquilo que é aquela relação pouco explicável de o que é amor e o que não é; ou colocando por outras palavras, a diferença entre o que é para nós a pessoa amada e o que é uma pessoa comum, e a transição da primeira para a segunda. Aqui, acho uma certa piada à expressão "princesa", não é algo que me ligue à tua forma de escrever / falar, e definitivamente lembro-me de outro contexto para o resto do post. Soa-me... estranho?
Acho que todo o parágrafo seguinte é um bom relexo do que é o regresso à banalidade, mas sempre deixando "lá" uma qualquer marca que não se apaga, e por muito tempo "escorra", a memória há-de dizer sempre que algo diferente se passou.
De seguida, a tua aceitação de uma resignação consciente acho que reflecte o talvez "pior" parágrafo do texto. É aquele que é simplesmente mais um desabafo, como tantou outros, acaba por não acrescentar realmente nada de novo.
E mais uma vez a reflexão final relembra-me uma outra consciência de resignação perante as "oportunidades" do tempo... será?
:)
Sempre acabei por fazer uma revisão do texto. Ontem estava simplesmente um pouco cansado, e agora que o revi apercebi-me realmente que algumas partes podiam estar melhores (como já suspeitava xD).
Muito bom mesmo e ainda bem que fizeste a revisão, não que o original estivesse mau mas com a revisão ficou perfeito.
É muitas vezes isso que acontece.. "..ao achar-te, perdi-me."
Continua a escrever assim ;)