Pôr-me na palavra
Published 07 outubro 2009 by Diogo Silva in Rumos, TempoPonho toda a minha razão de ser na palavra, pois se não o fizer não me dispo tão cedo desta melancolia. Dias há em que uma pessoa está em harmonia com tudo o que a rodeia, onde tudo parece correr no sítio certo, até que algo falhe e tudo desabe. Há dias em que as coisas dão uma reviravolta e se põem contra a ordem a que lhe sujeitamos, e vemo-nos uma vez mais baralhados, a pensar na solução, ou a pensar no que correu mal: que detalhe minucioso falhou onde não demos por tal, mas sentimo-lo.
Esperava eu muito do dia? Contava muito, decerto que sim, que a minha ansiedade se satisfizesse para me manter descansado. E para me manter confiante, para então poder manter o meu optimismo. Sim, quando uma pessoa está satisfeita consigo própria, pressente que algo de bom pode resultar disso, principalmente por acção dela própria. E agora, não me encontro assim... Dou graças à música, por me embalar! Ouvindo-a, só faltava mesmo desabafar, e então me vejo a faze-lo. Ponho toda a minha razão de ser na palavra. Faze-lo mantém-me confiante, devolve-me o optimismo. Simplesmente por faze-lo, simplesmente por concretizar algo que me faça sentir bem e poder dizer que fi-lo por conta própria, porque fui capaz.
Mas na verdade bem preferiria ter uma outra pessoa para me confortar: para ser a minha força. E ver-me sem ela, e sem esperanças disso alguma vez acontecer, põe-me melancólico. Procurei ultrapassar isso com toda a novidade que este dia traria, e realmente trouxe. Mas um momento novo e agradável pouco me serviu, agora, vendo-me sozinho, para arrancar de mim aquela sensação que já me vai entranhada. Nada mais foi senão uma mera distracção – um intervalo – no que se passa em mim. E como já o previa, de nada me resta senão aceitar a realidade, e partilha-la com o tempo para que este ma leve, a aceitação, daqui para fora.
Outra vez o tempo. Sempre o tempo. Estou farto de esperar. Quero continuar a ver o tempo a passar, quero continuar a viver, mas que estejamos em harmonia um com o outro. Talvez é isso. Não o que nos rodeia, mas o tempo. Preciso de estar bem com o tempo, pouco me posso queixar de tudo o resto em meu redor! Tudo… excepto aquela pessoa pela qual o meu tempo se tornou num detrimento. Não lhe tivesse centrado todo o meu ser nela, e o meu tempo não rondaria tanto a sua presença, ou a falta da mesma. Tendo-lhe depositado muita da minha confiança, do meu optimismo, a base da esperança que me escraviza, e vejo assim, coxo, aleijado, o meu espírito.
Que alguém outra me leve. Talvez. Ou me leve eu próprio, quando o tempo voltar ao seu rumo normal e ajudar a levar-me daqui para fora.
Afinal quero o quê, ser levado eu, ou ser levada de mim a ideia que terei de aceitar as coisas como estão? Qual dos dois casos mais me liberta? Não, não: afinal, que quero eu do tempo? Dependo-me demasiado dele.
Para me libertar mais ainda a partir da palavra, escrevo também neste texto um pouco de poesia minha:
Sou vento e posso voar. Já antes voei. Mas o peso dos meus ombros mantém-me rente à terra. Pesado, para voar, só quando me é dada a devida oportunidade para ser leve. Pesam-me os actos, pesa-me a voz, e não voou-o. Pesa-me a timidez, e pouco me vejo em cima. Que o tempo me leve mais vento: se não sou levado, não me deixo ir contra o meu peso. Mas se o sou, não me posso virar para o rumo que desejo…
Tenho uma carga nas minhas costas, e falta-me o exercício com a mesma. Preciso de andar mais, independentemente de quaisquer percalços. Para então poder correr, para então poder voar.
Veremos que resposta poderei vir a dar a isto, um dia mais tarde.

Daqueles textos que me saem bem logo à primeira. A revisão que tive de fazer ao passa-lo para o PC foi mínima. A ultima vez que isso me aconteceu foi, creio eu, com o texto "Ver-te".
era este ontem o texto que estavas a escrever?? bem xD tu tens mmo inspiraçao quer dizer nao e inspiraçao e tipo as coisas que te rodeiam que te fazem falar =) xD
mas gostei xD tens palavras bue finas haha
e sim vais poder voar basta olhares em frente, pk seras super feliz :D
Sim, neste texto fui um pouco mais "formal", daí o palavreado... :P