Um novo excerto

Nos últimos meses a minha escrita tem vindo a evoluir um pouco. A minha mentalidade em relação à escrita tem evoluído também. Posso até dizer que nunca me deu tanto gosto escrever como agora. Engraçado, porque cada vez tenho tido menos tempo para o fazer, mas talvez por isso mesmo: quando me encontro com tempo livre, a escrita, juntamente com a leitura (e ambos dão-se par a par lindamente), têm-me oferecido uma satisfação e prazer maiores que anteriormente, simultaneamente servindo como um descanso, que me relaxam do cansaço com que tenho chegado a casa nos dias de semana (tenho simplesmente um horário muito cheio).

Visto com o excerto anterior tem alguns meses, datando deste Novembro (podia jurar que era bem mais antigo!), resolvi pôr algo que criei mais recentemente, nos últimos dias aliás.

É o primeiro capítulo de uma nova história que comecei. Não o está aqui completo. Na verdade ainda não sei como o continuarei, é uma coisa que costumo decidir enquanto vou escrevendo. E críticas serão sempre bem vindas, claro: quero estar consciente de todos os problemas que o texto poderá ter: quero continuar a aprender.

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Descasando da cidade atrás de si, vira-se do percurso da estrada – deste vestígio urbano – perdendo-a de vista, perdendo-se nos campos, pelo rumo que as frescas aragens da natureza o levam, num divagar solto, como se desnudado das preocupações que o esperam quando voltar – o que por si dá um certo clima de insegurança também: nunca antes pensou em quebrar o ritmo do dia-a-dia normal. Mas aqui está ele, a respirar uma leveza refrescante para uma tarde que pôde muito bem ter sido apenas mais uma.
Casas repousam ao de longe: das chaminés se levanta o fumo ao de leve, livre, devagar desvanecendo no azul vivo do céu que se expande sobre as verdejantes expansões de terreno em todo o redor; e abrindo o espírito os braços para esta redescoberta, este refresco, este respiro: relaxando já com esta ideia: vê, um corpo, caído, no solo, ali à sua frente, ali jazendo perdido sem ninguém mais à vista, de vestido branco por entre os verdes e amarelos, tecido ondeando ao som do vento, ondeando também as ondas do cabelo loiro, quem poderá ser, o que terá acontecido?
- Há algum problema? – Ouve-se, e sem resposta continua a avançar até ela, coração começando a pesar, consciência também, o passo ainda mais, e tentando uma outra vez, suspira:
- Estás bem?
Mas a face dela dorme como se despercebida de tudo. Pelo menos um tom saudável corre na sua pele. Abana-a, sente-a quente: suficiente para abrandar o ritmo inquieto; no entanto insiste, chama-a, levar-lhe-á àquela aldeia se preciso. E uma outra vez insiste.
A rapariga acorda, mostra à realidade os seus olhos ainda meio postos sobre a mesma, meio perdidos, duvidosos; e sentando-se, ronda-os pelo redor. Depois estabelece-os nele. Se tenta dizer algo, acaba por não o fazer, e aí permanece…
- Encontrei-te no chão, fiquei preocupado. Está tudo bem contigo?
Ela esfrega a cara. Apreensivo, ele aguarda-a. E por fim, a rapariga diz:
- Não sei o que me deu. Obrigada.
E assim, ainda amolecida, calma, não diz mais nada.

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Editado: Alterei a ultima parte do excerto (para melhor, espero eu).


5 comentário/s:

  1. Lininha

    Hm...a primavera está tanto para o amor como para novas ideias, inspirações,...se bem k inda nao começou, mas o tempo ja se aproxima.
    Será esse facto k te tem permitido, mesmo estando ocupado, ter tanto prazer na tua escrita?..:P
    Eu suponho k sim, até porque é o k acontece comigo; embora tambem esteja cheia de trabalhos, sinto-me livre para reflectir sobre um bom assunto e deixar fluir o pensamento numa folha de papel...
    A tua história...bem, seria nesse caso apenas o 1º paragrafo de uma grande história, se não, seria apenas uma bela descição de duas pessoas k um dia decidiram "quebrar o ritmo do dia-a-dia normal"...
    Eu gosto da tua maneira de descrever, forma-se uma bela imagem... :D
    Bom bom...boa continuação... ;)

     
  2. Diogo Silva

    Porque não me lembrei da primavera... =P

    Sim, realmente posso dizer que uma das razões que tenho tido mais vontade de escrever é devido ao meu estado de espírito, pela primavera e não só... :P

     
  3. Tiago Russo

    lol, gostei do "e não só" xD (evil thoughts)

    Um pouco mais a sério, e se para alguns é da primavera, para outros é dos "e não sós", e para outros ainda, o que dá para escrever é o facto de ter as sextas feiras sem aulas... por isso vou tentar não meter para aqui um testamento muito enorme xD.

    Primeiro que tudo, minimal :).
    Não pelas frases curtas, nem pelos sentidos directos, mas sim pela objectividade de raciocínio. Basicamente o que se vê no texto (excerto), e digo "vê" com intenção, é que o facto de existirem milhentas virgulas, 'parando, uma, e outra, palavras', é que o leitor vai visualizando a história a cada momento de acção que passa. Um pouco mais técnico, parece, ao ler o texto, que mentalmente estou a ver o que se passa em filme, mas "frame by frame". Claramente não é um texto para ser lido no metro em Lisboa, é algo muito calmo, suave diria eu, e com pausas que fazem, de uma forma muito interessante, o leitor se colocar em parte dentro da acção.

    Quanto à 'Entwicklung' notória da escrita, é isso mesmo, notória. :)

    Agora... a parte má xD

    Nao querendo parecer mauzinho, mas porquê um loira de vestido branco num campo verdejante?

    Não digo isto por mal, até porque me parece uma visão interessantissima "e não só" XD XD,
    mas ou tenho grande azar naquilo que leio, ou isso parece-me bastante cliché :(

    Mas é só um pormenor, num texto de excelentes pormenores,... e talvez por isso mesmo tenha feito esta crítica :)

     
  4. Diogo Silva

    Sim, é um quanto cliché o aspecto da rapariga, e até estava consciente disso enquanto escrevia. Mas deixei-me levar, e agora não a consigo imaginar de outra maneira (se bem que, talvez, até altere a sua aparência...).

    Em relação à parte "minimal" =P, foi influencia de um autor que tenho estado a ler (e português, e muito bom até: Gonçalo M. Tavares).

     
  5. Anónimo

    aiai xD nao tnho palavras para tantas palavras LOL... o que o amor faz az pessoas LOL deixax as km tant inspiraxao :p xDD
    tu ind vais xer escritor ESCREVER O K TE DIGO lol xDD e claro quero os livros tdx dps hahaha xDD
    mas eu nao sou muito amiga d ler xD mas depende :D xD
    my friend :D isto dava umas belas d umas paginas de livro hehe

     

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