“São os jogos arte?”
Há medida que a indústria dos videojogos se tem evoluído e expandido, afectando por consequência cada vez mais a nossa sociedade e cultura; esta questão tem-se tornado mais frequente.
Há quem concorde porque os jogos “não só englobam muitas das formas tradicionais de arte (texto, som, vídeo, imagem), como também juntam todas estas formas de uma maneira única através da interactividade.”; e há quem ache que esse argumento não chega, e chegue até a dizer que “obras artísticas têm que ter características individuais do autor, não podem ser trabalhos de equipa”, ou que “a própria natureza dos videojogos exige que o jogador faça escolhas, que é o oposto à estratégia de filmes e literatura séria, que requer controlo autoritário.”
Eu tenho uma opinião diferente em relação a este assunto. Concordo que os videojogos possam ser arte, mas acho que o conseguem sê-lo a partir da própria interactividade (a tal característica que define o género).
Foi o “Shadow of the Colossus” que me fez ver isto. Embora pareça um jogo bastante tradicional à primeira vista, com muito poucas cenas cinematográficas; o que acontece é que usa a própria jogabilidade para contar os cenários, como também para desenvolver a interacção entre personagens. Todos os sistemas de jogo estão devidamente estruturados para exprimir o que o autor quer, e até algo tão simples como os controlos ajudam na imersão do jogo.
Tal como a música ou o desenho podem narrar ou exprimir algo unicamente a partir do som e da imagem, sem ser necessário qualquer letra, um jogo pode faze-lo também unicamente a partir da interacção.
Concluindo a minha opinião, um jogo passa a ser arte no momento em que a jogabilidade transcende a sua definição normal e passa também a ser um meio de o autor “jogar” com os consumidores.
Bem... Para começar, eu concordo, mas, não é o facto de discordar, é o facto de ser um tema vago.
Hoje em dia, arte parou de ser algo palpável, algo concreto. Na minha opinião, cada um sempre escolheu o seu estilo de arte, mas, há coisas que hoje em dia se medem como arte e outras que, injustamente, não.
Como musico, vou tomar o exemplo da musica. Tomamos arte Beethoven, mas não tomamos arte o Rap (e eu até falo por mim, dado o facto de não ser um grande apreciador de Rap).
Um jogo, como bem referiste, é composto de muitas partes artísticas, como a musica, a imagem, e por ai adiante. Na minha opinião, considero um jogo arte, não so porque (apesar de em muitos casos, ser o conjunto que conta e não cada peça em si) é composto de muitas pequenas partes artísticas. Vou pela lógica de "Se todos os X são Y, e se todos os X pertencem a Z, então todos os Z são Y". Reformulando, se todas as musicas são arte, e se todas as musicas pertencem a jogos, então todos os jogos TERÃO que ter arte. Se consideramos desenhos, imagens, ângulos, uma qualquer visão de algo arte, um jogo têm-na, então o jogo terá de ter arte.
O problema desta polémica e que o conceito de arte varia entre pessoa para pessoa. Eu acho que um jogo, apesar de, às vezes, os seus pequenos pontos de arte não resultarem tão bem quanto resultariam se todos os esforços fossem postos neles, é arte, porque pensa, inventa e dá-nos vida a nós à sua maneira, não às personagens.
O problema geral do mundo é que pensam: Se ALGUNS os X são Y, e se todos os X pertencem a Z, então NEM TODOS os Z são Y...
Concordo contigo, os videojogos têm todo o direito em ser considerados uma forma de arte, porque, tal como as outras formas de arte, exprime uma ideia/sentimento atraves de uma experiencia interactiva. Um videojogo contem também cada forma principal de arte, se bem trabalhado, é obvio que se pode tornar numa obra de arte. Por exemplo, o recente "Crysis" é um dos jogos que considero uma obra de arte, pois tem ambientes simplesmente expantosos, gráficos lindos do ponto de vista artistico e tecnico que envolvem o jogador no ambiente do jogo em conjunto com a historia conseguindo transmitir o clima que os creadores do jogo pretendiam (não vou fazer spoilers, estejam descansados...). Tudo isto engloba a parte cinematográfica do jogo, que por si já vale bastante, mas como se trata de um jogo, há então o factor da jogabilidade, onde podemos controlar as funções do nosso "nano-suit" para nos adaptaremos a cada situação de uma forma interactiva com o ambiente. Concluindo, não é o facto de os jogos englobarem os varios tipos de arte (imagem, som, interactividade) que faz com que eles sejam arte, é a combinação certa entre estes que faz com que os jogos possam transmitir ideias e sentimentos atraves de uma experiencia estimulante e interactiva.
Se os filmes são considerados arte, os jogos são também indiscutivelmente uma arte.
Ao contrário do que se passa nos filmes, um videojogo necessita para a sua criação muito mais que uma camera e umas folhas de papel. A grande diferença que eu vejo hoje em dia entre um filme de animação 3D e um videojogo, é que nos videojogos é possível controlar e decidir como se irá desenrolar a acção, no fable, por exemplo, pode-se decidir no decorrer da história do jogo se se quer optar pelo mal ou pelo bem.
Tal como naqueles livros dos Arrepios de capa brilhante, é possível escolher um caminho e segui-lo num videojogo (estilo role-play) ao contrário do que se passa com um filme. Fica então a questão - se um videojogo necessita para a sua criação uma história sólida e um trabalho profissional porque não serão estes, tal como os filmes, considerados uma arte?
Eu considero os videojogos a 8ª arte e tenho a certeza que o tempo o afirmará melhor que eu.